Para muitos este é apenas o órgão que produz o nosso "chichi"... mas poucos saberão que este órgão é um dos orgãos mais fascinantes que temos. É responsável por regular um sem número de funções no nosso organismo e, por isso, quando falha, é o caos. Felizmente, temos dois o que, em alguns casos, nos dá uma segurança extra. Mas há doenças que, quando se manifestam, afectam ambos os rins que, eventualmente, deixam de funcionar e temos que recorrer à hemodiálise. Este processo, que muitos já terão ouvido falar, consiste em "filtrar" o nosso sangue, através de uma máquina à qual permanecemos ligados durante algumas horas. É um processo complexo, que implica muitos muitos cuidados, sobretudo ao nível da alimentação. Porque, por exemplo, se alguém com insuficiência renal comer um prato de feijão ou 2-3 bananinhas e não for ligado à máquina nas horas seguintes, pode morrer num instantinho. Essas pessoas têm que fazer hemodiálise no mínimo 3x por semana, por isso dá para imaginar o quão complicadas ficam as suas vidas, para não falar do desgaste que este tratamento provoca.
A minha avó, a minha mãe, eu e o meu irmão (entre outros familiares próximos), sofremos de uma doença que se chama Doença Renal Policística Autossómica Dominante. Significa que os nossos rins têm muitos quistos, que aumentam em número e em tamanho ao longo do tempo (mais ou menos assim) até que chega um dia em que eles simplesmente deixam de funcionar. A palavra "dominante" significa que a probabilidade de a Matilde também ter esta doença é de 50%. Porque basta eu ter passado para ela um "gene mau" para a doença se manifestar, ao contrário das doenças chamadas "recessivas", que só se manifestam quando vem um "gene mau" da mãe e outro do pai.
Neste momento, os meus rins estão mais ou menos assim. Um dia, eu vou estar ligada a uma dessas máquinas. E vou sofrer com todas as dificuldades e limitações que isso implica, enquanto aguardo um possível transplante renal que poderá nunca chegar ou demorar anos. Na maior parte dos dias vivo sem pensar muito em tudo isto mas em dias como hoje, fica difícil. Escrevo com as lágrimas a teimarem em aparecer e a repetir para mim mesma que ainda tenho muito pela frente. No entanto, é sempre difícil quando sabemos o que a vida nos reserva. Já dizia Thomas Grace: "Quando a ignorância é felicidade, é loucura ser sábio". Tinha razão.
Neste momento, os meus rins estão mais ou menos assim. Um dia, eu vou estar ligada a uma dessas máquinas. E vou sofrer com todas as dificuldades e limitações que isso implica, enquanto aguardo um possível transplante renal que poderá nunca chegar ou demorar anos. Na maior parte dos dias vivo sem pensar muito em tudo isto mas em dias como hoje, fica difícil. Escrevo com as lágrimas a teimarem em aparecer e a repetir para mim mesma que ainda tenho muito pela frente. No entanto, é sempre difícil quando sabemos o que a vida nos reserva. Já dizia Thomas Grace: "Quando a ignorância é felicidade, é loucura ser sábio". Tinha razão.



