26 de novembro de 2010

Os ciganos vão ao hospital.

A noite passada fomos outra vez com a Matilde para o hospital. Já desde a semana passada que andava a fazer febres, embora sem outros sintomas, tirando uma tossita aqui e ali.
Que nós somos ciganos, toda a gente já sabe, basta olhar para nós à ida ou à vinda do Porto de comboio, ou ter tido o prazer de ver os carros na altura das mudanças (mais parecia que vínhamos da feira, o carro cheio cheio e o ovo da Matilde ali encaixadinho num canto). Mas nunca tínhamos tido uma demonstração destas, em público.
Estávamos no hospital muito bem, quando chega a minha sogra e o marido. Até aqui tudo normal, ele tinha vindo ajudar o Bruno, que tinha ficado apeado por causa da bateria do carro e ela vinha-me fazer companhia. Qual não é o meu espanto quando, passado um bocado, olho pela janela e vejo uma carrinha a chegar, com a madrinha do Bruno e o marido, mais a avó. Só visto. 7 adultos e uma bebé, em plena urgência do Hospital de Vila Franca que estava completamente caótica. Uns de pé, outros sentados, a olhar uns para os outros. Como se não bastasse, a mãe do Bruno não tem mais nada, toca de ir à máquina buscar umas sandochas, uma para mim outra para ele, que eram 11 da noite e ainda não tínhamos comido nada. Eu, caladinha, comecei logo a comer a minha, mas o Bruno disse que não tinha muita fome e foi o cabo dos trabalhos:

- Mas não queres??
- Põe aí, já como...
- Mas tens que comer!!
- Está bem, já como.
- Mas porquê, tens vergonha?
- Ó mãe... olha aí...
- Come filho! Se estás com vergonha, vai lá para fora!

No meu canto, eu só tinha vontade de rir. Quanto mais o Bruno tentava ser discreto, mais alto a minha sogra falava, tornando impossível alguém não olhar para nós (no caso de ainda existir alguém que não estivesse já a olhar).
Quando finalmente a coisa acalmou, e alguns deles já tinham ido embora, o bêbado que estava sentado mesmo em frente a nós rematou assim:

- Olha viste! Um bebé ciganito!  (lol)

Com este texto, não quero de maneira alguma ofender a etnia cigana. Se há coisa que eu acho bem, é a união que demonstram nos momentos de maior dificuldade, como quando há problemas ou vai alguém para o hospital. Excepto, claro, quando é para fazer estragos.

5 feelings:

Diana disse...

lol opa ja me fartei de rir.. parece k ja estou a imaginar a mae do bruno:)



Ana Rute Oliveira Cavaco disse...

nas urgências dos hospitais dá logo para ver quem são os filhos únicos, por essas coisas. quando há mais filhos, a família distribui-se.



Raquel Henriques disse...

hahaha! Lindo!



Marta disse...

A Matildocas está melhor? O que teve afinal?



Débora disse...

Olá Marta!

Viemos de lá assim a modos que despachadas com um "isso é dos dentes", mesmo estando com febre há quase uma semana. Mas ontem já só teve febre (pouca) ao fim do dia e hoje ainda não teve. Hoje levei-a à médica que achou que estava tudo bem. Se voltar a ter febre hoje ou amanhã vou ter com a médica às urgências amanhã, para fazer Rx e análises. Esperemos que não seja preciso.

Obrigada!



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