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14 de fevereiro de 2013

E foi assim!

AVISO: Post loooongo e não aconselhável a mamãs à espera do primeiro bebé ;)

O parto deste 2º bebé foi tudo aquilo que eu não estava à espera. Não o imaginei melhor nem pior, simplesmente diferente. Na verdade, tinha apenas um desejo: não estar no hospital quando tudo começasse. Apesar das dores e do cansaço, estava disposta a esperar que fosse o Gonçalo a decidir nascer. Imaginei que, nessa altura, ficaria sossegada em casa até achar que era realmente hora de ir para o hospital e que lá tudo se passaria bastante depressa. Mas nestas coisas nós pouco mandamos e tudo acabou por ser diferente.

No dia 4 de Fevereiro tivemos a que seria a última consulta no Centro de Saúde, com a nossa médica de família. O Bruno nem sequer era para ter ido comigo, mas nesse dia chegou bastante cedo a casa e fomos os 3. Quando chegou a hora de ouvir o coração do Gonçalo, percebi que algo não estava bem e a cara da médica mostrou isso mesmo. Os batimentos estavam completamente descompassados, pareciam aos soluços e fomos imediatamente recambiados para a urgência do hospital. Deixámos a Matilde com o padrinho, fomos buscar a mala just in case e seguimos. Não sei explicar muito bem o que estava a sentir. Depois de duas gravidezes sem qualquer incidente que fosse, sem qualquer motivo de preocupação, parecia que estava a ver a cena de fora e que não estava a acontecer comigo.

Quando finalmente fui atendida e examinada, tudo parecia estar bem e o coração dele batia normalmente, mas quando me ligaram ao CTG perceberam que os batimentos estavam realmente alterados (embora ficassem normais consoante a posição em que eu estava) e que eu estava já com contracções regulares, embora sem quaisquer dores. Estive ligada cerca de uma hora até que fui novamente examinada e o médico achou que a coisa se daria durante a madrugada, que o melhor era nem me ir embora. Ainda tentei argumentar, disse que voltava passadas umas horas, que não valia a pena ficar já internada, mas perante o peremptório "não quer ficar não fica, eu dou-lhe alta e volta quando quiser" e o olhar receoso da enfermeira ao meu lado como quem diz "não faça isso", contrariada, fiquei. Naquele momento percebi se seguia a única coisa que eu não queria que acontecesse: ia ficar amarrada a uma cama, ligada ao CTG e ao soro, sem poder comer nem beber, à espera. Passei a noite inteira assim, a virar-me de um lado para o outro em busca da melhor posição para ouvir correctamente os batimentos cardíacos do Gonçalo, cheia de fome e sede, frustrada e revoltada por tudo ter saído ao contrário do que eu tinha imaginado. Segundo o que me disseram, estava com quase 4 dedos de dilatação o que me dava alguma esperança de que a coisa se desenrolasse rapidamente, mas quando pela manhã o cenário permanecia inalterado comecei a ficar desesperada. A hipótese de cesariana estava inclusive em cima da mesa, caso os batimentos cardíacos dele não normalizassem e quando as duas senhoras que estavam comigo na sala de dilatação (uma já lá estava e outra tinha chegado entretanto) foram ter os seus bebés e os ouvi chorar correram-me as lágrimas pela cara abaixo, por ainda ali estar. Parece parvo, porque eu nem sequer tinha dores, mas isso ainda me angustiava mais porque só significava que ainda nem tinha começado e eu já ali estava há tantas horas.

Finalmente, a meio da manhã, os batimentos cardíacos do Gonçalo normalizaram e voltaram a acrescentar ao soro a oxitocina, que tinham parado durante a noite. Passado algum tempo fizeram a ruptura de membranas e quando cheguei aos 5 dedos de dilatação a enfermeira disse-me que avisasse quando e se quisesse a epidural. Eu ainda estava bem e as contracções eram suportáveis. Ao 297686563º toque, o espanto: afinal o colo não estava nada apagado - pararam a oxitocina e deram-me 1/4 de comprido para dissolver na boca. Depois disto, foi tudo muito rápido: as contrações começaram finalmente a apertar e chegaram as dores - entrávamos em acção. Yes! É claro que este "yes!" rapidamente passou a um "oh, f***, não acredito que me esqueci como isto era!!" :)
Pude levantar-me (vá lá) embora sempre ligada ao CTG e usar a bola (que alívio!!) que permitiu que o Gonçalo se encaixasse melhor. A dada altura as dores ficaram cada vez mais fortes, pedi a anestesia, mas tive que esperar o que me pareceu uma eternidade para que o colo do útero finalmente ficasse apagado e para que a anestesia não parasse o processo. Cada contracção era mais dolorosa e prolongada que a anterior... eu só pensava que não aguentava mais nenhuma, mas a verdade é que aguentamos!
Quando finalmente chegou a anestesista estava com 6 (sete?) dedos de dilatação (um déjà vu!) e eu já sentia uma pressão enorme, mas calei-me caladinha. Ao contrário do que aconteceu no parto da Matilde, não cheguei a ficar sem dores e a ter uns momentos de descanso... a anestesia aliviou um bocadinho mas a dor nas costas era constante e só acalmava ligeiramente quando o Bruno (que esteve sempre comigo tirando da meia-noite às 7h da manhã) fazia muita, MUITA força nessa zona. Não deve ter passado meia hora e comecei a ter vontade de fazer força - estava na hora de passar para a sala de partos.

Lá, a primeira coisa que me disseram para fazer antes de subir para a marquesa foi colocar-me de cócoras e puxar com muita força na próxima contração. Assim que o fiz, senti nitidamente o Gonçalo a descer e a cabeça a querer sair, um ardor imenso e o pânico tomou conta de mim. Lembro de dizer (gritar?), feita parva "é a cabeça, é a cabeça!" e de pensar "não, esqueçam, pára tudo, não quero, vou-me embora!!". Lol.
Deitei-me na marquesa, levantaram as grades laterais e só tive tempo de me agarrar e ouvir ao longe algumas instruções da enfermeira - outra contracção. Ainda eu me estava a preparar para mais uma, quando senti a enfermeira rodear com os dedos a cabeça do Gonçalo para permitir que ele saísse mais facilmente. As dores foram tantas que não consegui evitar um grande grito (o Bruno tem um bocadinho de filme desta parte, tenho pena que não tenha filmado tudo!) e de pensar de seguida "não vou ficar aqui no vai não vai, é agora ou nunca!". Sabia que era uma questão de segundos e que assim que ele saísse tudo terminava, por isso investi toda a força que tinha e puxei, muito muito! Ouvi a enfermeira dizer "força, é isso mesmo, boa!" o que ainda me deu mais ganas de terminar tudo de uma vez. Senti a cabeça sair, e passados alguns segundos o corpinho dele estava todo cá fora :))) Só não me apercebi que entre a cabeça e o resto fechei as pernas!!! Ups! Na verdade, tirando estes pensamentos que me iam assaltando a mente, não me lembro de grande parte do que aconteceu... estava a modos que num transe! :)

Nasceu às 14h39 do dia 5 de Fevereiro de 2013. O pai pediu para cortar o cordão umbilical (à semelhança do que aconteceu com a irmã) e o meu bebé lindo estava finalmente em cima de mim e tudo tinha terminado! Chorou só depois de um beliscão que lhe deram, enquanto a enfermeira dizia "vá, ralha com a tua mãe, que fechou as pernas e não te deixou sair!". Depois foi para a salinha do lado onde o limparam, examinaram e pesaram (Apgar 10/10, 3385g e 51cm de gente!) e o pai vestiu-lhe a sua primeira roupinha.
Ainda na sala de partos, logo depois de a enfermeira retirar a placenta e os restos que ainda estavam dentro do útero (e de me mostrar, já que não tinha visto no nascimento da Matilde e tinha ficado curiosa), comecei a pensar no que se seguiria e perguntei-lhe se o "estrago" tinha sido muito grande. A resposta dela foi a cereja no topo do bolo: "não precisa de pontos nenhuns". :)) Depois do pós-parto da Matilde, que me custou tanto durante semanas (tanto que disse várias vezes que preferia parir outra vez!), nem queria acreditar que à segunda não teria que passar por nada disso. Ainda lhe perguntei umas duas ou três vezes se ela tinha a certeza! :)
Todos foram tremendamente atenciosos desde que fui atendida até que tivemos os dois alta e fui, sem dúvida alguma, bem melhor tratada do que na MAC. Até pode ter a ver com o facto de agora o Hospital de VFX ser gerido por uma entidade privada, mas acho que não. Se eu soubesse o que sei hoje, tinha tido lá a minha filha também!

O Bruno diz que, aos olhos dele, este 2º parto custou mais e foi mais doloroso (é possível, mas eu não consigo vê-los com clareza). A verdade é que este pós-parto compensou (e está a compensar) tudo o que possa ter ficado aquém do que eu tinha imaginado. Pude desfrutar ao máximo o meu bebé desde o primeiro dia, sem ter dores para fazer tudo e mais alguma coisa... E desde o 3º ou 4º dia que a hemorragia ficou bem ligeira, ao ponto de ser possível andar apenas com um pensinho diário. É uma diferença tão abismal, que o meu desejo é que todas as mamãs pudessem ter esta oportunidade!


E foi assim :)

25 de outubro de 2012

Do parto (que está para vir).

Completo hoje as 25 semanas e ultimamente dou comigo a pensar cada vez mais no nascimento do bebé que trago cá dentro. Nesta segunda gravidez, olho para tudo de maneira diferente. Penso um bocadinho menos no facto de estar grávida e, por isso mesmo, o tempo passa (ainda) mais depressa. Mas acho que penso mais no parto. Vou com a vantagem de saber o que me espera. Mas lá está - já sei o que me espera. E isso não é necessariamente reconfortante :) Apesar de o meu primeiro parto ter durado 5 horinhas, são momentos só nossos, momentos em que o nosso corpo assume o controlo, dores que ninguém sente por nós e que, felizmente, a nossa mente tem a habilidade de apagar da nossa memória! Caso contrário ninguém repetia a dose de livre vontade ;)
Relembro o parto da Matilde e imagino que gostava que desta vez "a coisa" se processasse de forma mais espontânea. Apesar de nunca me ter arrependido de ter avançado para o parto induzido assim que completei as 41 semanas (por mim até tinha sido antes, tal era o meu cansaço e a minha ansiedade), há coisas que não vivi e que gostava que fizessem parte desta experiência única que é trazer um filho ao mundo. Coisas pequenas, talvez até parvas, mas que eu gostava de conhecer. O "rebentar" das águas, por exemplo, não sei o que é, porque foram as enfermeiras que o fizeram. Sei que é uma coisa sem importância e que na maioria das vezes as águas não rebentam antes, mas mesmo assim! Também não sei o que é começar com contracções de um momento para o outro, sem estar à espera. Por muitas tentativas que tenha feito para provocar o parto da Matilde de forma natural... a primeira contracção que senti na vida foi depois da indução. Não sei o que é ter o Bruno ao meu lado durante este início do trabalho de parto, porque no parto da Matilde ele foi mandado para casa enquanto aguardávamos e foi tudo tão rápido que quando chegou já eu estava com a dilatação quase feita, a implorar pela epidural. E convenhamos que, qualquer grávida que se preze, quando pensa no parto se imagina a correr para o hospital, a arfar dentro do carro, com o marido ao lado a buzinar para que abram caminho, ou sou só eu?? :)
Por estes dias li este artigo da Pais & Filhos e gostei muito. Apesar de ter tido uma primeira experiência, a meu ver, muito boa e de ter sentido tudinho (mesmo com epidural sabia exactamente quando tinha que fazer força, ao contrário de alguns destes relatos), tenho ponderado se realmente terá sido um procedimento necessário. Afinal de contas, veio tarde e a más horas, já eu estava quase em ponto rebuçado... mas também é verdade que quando ela finalmente chegou eu já jurava a mim mesma que não resistiria a nem mais uma contracção e que não seria capaz de ir até ao fim. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Há uma pequena parte do meu (nosso) parto, que eu saltei. Que não sei como é. Será que não seria mesmo capaz? Ou será que estava mesmo quase e eu desisti? Logo descubro como canto quando chegar a hora de o Gonçalo vir cá para fora. Mas estou certa de que desta vez vejo as coisas de forma um bocadinho diferente...  e me sinto capaz de um pouco mais.

17 de maio de 2010

Do parto.

(dia 17 às 19h, uma hora depois de iniciarem a indução, com a dose mínima)

Há dois meses atrás estava eu a entrar em trabalho de parto. Eu, que toda a gravidez me fartei de repetir que as semanas estavam a passar demasiado depressa, tive que aguentar até às 41 semanas, de castigo. Aprendi a lição: não volto a desejar que o tempo ande devagarinho. Se as últimas semanas da gravidez já são penosas, a 41ª é mil vezes pior. Sobretudo numa primeira gravidez, eu acho. A ansiedade de não fazer a mínima ideia do que me esperava, aliada à ansiedade de não saber quando tudo iria começar... Para não falar da chuva de telefonemas e sms que, embora eu soubesse que eram por toda a gente estar ansiosa por conhecer a Matilde, só me punham ainda mais nervosa, por repetir a mesma coisa vezes sem conta: "Pois, ela não quer nascer, vamos ver se é amanhã, depois avisamos!" :)
No dia 16 de Março, com quase 41 semanas, saí de casa convencida que já não voltava. Enganei-me. A médica achou por bem esperar mais um dia para fazer a indução, para completar as 41 semanas... E assim que eu percebi que ainda não era daquela, vieram-me as lágrimas aos olhos, só de pensar que ainda teria que esperar mais um dia.

O meu maior medo era ter um parto muito prolongado. Imaginava-me 24h em trabalho de parto e tremia. No final, acabou por ser tudo tão rápido! Dou graças pela hora pequenina que tive. Comecei a ter dores às 22h30 e às 3h26 da madrugada ela estava cá fora. Fiz a dilatação tão rápido que a enfermeira dizia que eu parecia um foguete (lol). De todas as vezes que viram a dilatação, fui eu a pedir. Tanto que já ela estava prontinha para nascer e ainda não tinham dado conta. Deveria ter ido para a sala de partos com 3 dedos (eu estava no internamento, a indução poderia demorar até 48h) e já passava dos 4. E foi tudo tão rápido que por pouco não me davam epidural: a anestesista estava numa cesariana e incrivelmente, numa maternidade tão grande, só havia uma. Aos 6 dedos de dilatação as dores eram tantas que eu só gemia e pensava que se a dor não aliviasse não seria capaz. E logo a seguir pensava: "Agora não há volta atrás, vai mesmo ter que ser... estou lixada." Mesmo assim, tal e qual. O Bruno estava ao meu lado e nem sabia o que me havia de fazer. Acho que naquela hora só queria fugir :) Eu só dizia para ele não falar e para puxar as fitas do ctg, que me apertavam as costas e me faziam doer como se não houvesse amanhã. Para completar, só conseguiam ouvir o coração da Matilde se eu estivesse de barriga para cima, o que ainda era mais tortura. Eu só queria mesmo era estar de lado.

Depois de muitas muitas dores, chegou a minha salvação, uma anestesista estúpida como tudo. Eu só não a mandei àquela parte porque ela tinha a minha epiduralzinha do coração e naquele momento era a pessoa mais importante daquela sala... Mas para terem uma ideia, quando ela chegou eu perguntei "Já é a anestesia?" ao que ela me respondeu, com tom de desprezo "Eu não sou a anestesia, sou anestesista!"... Enfim. Assim que ela me deu a anestesia... foi o paraíso. Passado um pouco o Bruno voltou a entrar e estivemos na conversa até as dores começarem a apertar outra vez e a ter muita vontade de fazer força. Pedi para verem se já não estava na hora et voilá, a Matilde nasceu. Não sem antes ouvir o barulhinho sinistro da tesoura a cortar... mas no meio de tanta dor eu já só pensava: "Cortem, cortem, que assim é mais rápido." No exacto instante em que ela saiu, todas as dores desapareceram. Um alívio do tamanho do mundo e a minha bebé finalmente nos braços!

Foi há dois meses :)