Ontem tive uma senhora na consulta que se queixou que era muito difícil cumprir um plano alimentar para perder peso quando fazia os seus cruzeiros (sim, no plural). E que nos hotéis havia sempre demasiadas coisas boas para comer. E que não sabia quando podia marcar nova consulta porque não sabia se ia estar cá. Há por aí vidas realmente complicadas! lol
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24 de fevereiro de 2012
27 de julho de 2009
Sabem aqueles momentos...
...em que sentimos verdadeiramente que estamos na profissão certa? Tipo aqueles momentos em que alguém, visivelmente feliz, nos diz que as colegas do trabalho estão fartas de perguntar o que é que ela tem feito? Aqueles momentos em que nos pedem o contacto porque as colegas e conhecidos querem marcar consulta? Aqueles momentos em que sentimos a lagrimazinha ao canto do olho, mesmo sabendo que o mérito é 95% da doente? Sabem?
Hoje o dia começou assim :)
Hoje o dia começou assim :)
7 de abril de 2009
Ligam-me de outro centro de saúde para marcar uma consulta.
A conversa foi mais ou menos isto:
"- Boa tarde! Olhe, tenho aqui uma menina que tem algum peso a mais... queria marcar consulta, pode ser? É que ela só come o que quer e não pode ser assim e ela precisa de ouvir que não pode comer certas coisas (...).
- Então e que idade tem a menina?
- Tem quatro.
- ..."
Era só eu que com 4 (quatro) anos fazia o que me deixavam e/ou mandavam e não piava? Eu até me lembro de já ser grande e de ter de pedir para abrir um pacote de bolachas!
- Então e que idade tem a menina?
- Tem quatro.
- ..."
Era só eu que com 4 (quatro) anos fazia o que me deixavam e/ou mandavam e não piava? Eu até me lembro de já ser grande e de ter de pedir para abrir um pacote de bolachas!
3 de fevereiro de 2009
Desabafo
Parte do meu estágio no Centro de Saúde incluiu consultas de Obesidade Infantil. Ontem, enquanto calculava IMC's e marcava os pontinhos na tabela dos percentis, percebi que por pouco não teria escala de IMC suficiente para marcar uma das meninas.
Tem 9 anos, 1,48m e pesa 77kg, ou seja, um IMC de 35,2kg/m².
Para dar uma ideia, se ela fosse adulta, o seu IMC já corresponderia a uma Obesidade Grau II (há Grau I, II e III). Mas ela não é adulta... é uma menina de 9 anos. Para estar pelo menos no percentil 85 (que é o limite entre o peso normal e o excesso de peso), teria de ter um IMC de 19, o que para a altura dela, significaria ter menos 35kg.
A culpa não é dela. É dos familiares que deixaram as coisas chegassem a este ponto... e angustia-me saber que não tenho uma varinha mágica que a possa ajudar. Está cheia de vontade de perder peso e na última consulta já tinha menos 2kg, mas infelizmente ainda tem um longo caminho a percorrer... :(
29 de janeiro de 2009
Crónica do último dia de consultas.
A propósito da cirurgia bariátrica (balões, bandas e afins)... hoje sinto-me revoltada com a burrice de algumas pessoas.
Vi hoje pela segunda vez uma doente que está em avaliação para a cirurgia. Tem 34 anos (tão nova!), tem actualmente cerca de 130Kg e tem vindo a perder bastante peso, entusiasmadíssima com a perspectiva de ser operada. Na sala de espera, em conversa com outras doentes, uma delas saiu-se com um:
HAM??? Juro que me apeteceu chorar!
A avaliação é feita por uma equipa multidisciplinar que inclui Endocrinologia, Nutrição e Psicologia. O doente é avaliado no todo, de modo a perceber se adere à terapêutica, se é capaz de cumprir uma dieta, se está em condições a nível físico e psicológico para ser submetido a uma cirurgia deste tipo. Para além de tudo isto, enquanto o doente está em avaliação, se houver perda de peso diminui-se o risco da cirurgia porque, entre outros motivos, é necessária uma menor anestesia. Porque é uma cirurgia! Há pessoas que morrem! E é isso que as pessoas nao metem na cabeça. Será que a ignorância é assim tanta que não conseguem perceber que só estamos ali a fazer o que é melhor para elas? Era muito mais prático fechar os gabinetes das consultas e abrir mais uns quantos blocos operatórios! Era sempre a andar!...
A minha vontade era ir ter com a senhora que disse isto e dizer-lhe: "Olhe, por isso é que a senhora já anda aqui há 1 ano!" Quem está deste lado não está a dormir... e embora às vezes nos enganemos, dá para perceber bastante bem quando é que uma cirurgia é a solução e quando não é... Para quê enviar um doente assim? Para aparecer passado um mês com a banda deslocada porque continua a comer como antes? Para ser operado outra vez para a retirar? Para aparecer de ambulância, quase a morrer, porque há dois meses que só vomita? Quando é que a banda vai deixar de ser "mágica"? Há pessoas que continuam a engordar com a banda... e depois vêm dizer que "tou muito desiludida, a banda a mim não me fez nada" HELLOOOOOOO!
Vi hoje pela segunda vez uma doente que está em avaliação para a cirurgia. Tem 34 anos (tão nova!), tem actualmente cerca de 130Kg e tem vindo a perder bastante peso, entusiasmadíssima com a perspectiva de ser operada. Na sala de espera, em conversa com outras doentes, uma delas saiu-se com um:
"Eu já ando nisto há um ano! No início também perdi algum peso... mas agora acha que me privo de comer?! Nem pensar! Que eles depois vêem que a gente perde peso com as dietas e já não nos querem operar! Olhe, se eu fosse a si parava de emagrecer!"
HAM??? Juro que me apeteceu chorar!
A avaliação é feita por uma equipa multidisciplinar que inclui Endocrinologia, Nutrição e Psicologia. O doente é avaliado no todo, de modo a perceber se adere à terapêutica, se é capaz de cumprir uma dieta, se está em condições a nível físico e psicológico para ser submetido a uma cirurgia deste tipo. Para além de tudo isto, enquanto o doente está em avaliação, se houver perda de peso diminui-se o risco da cirurgia porque, entre outros motivos, é necessária uma menor anestesia. Porque é uma cirurgia! Há pessoas que morrem! E é isso que as pessoas nao metem na cabeça. Será que a ignorância é assim tanta que não conseguem perceber que só estamos ali a fazer o que é melhor para elas? Era muito mais prático fechar os gabinetes das consultas e abrir mais uns quantos blocos operatórios! Era sempre a andar!...
A minha vontade era ir ter com a senhora que disse isto e dizer-lhe: "Olhe, por isso é que a senhora já anda aqui há 1 ano!" Quem está deste lado não está a dormir... e embora às vezes nos enganemos, dá para perceber bastante bem quando é que uma cirurgia é a solução e quando não é... Para quê enviar um doente assim? Para aparecer passado um mês com a banda deslocada porque continua a comer como antes? Para ser operado outra vez para a retirar? Para aparecer de ambulância, quase a morrer, porque há dois meses que só vomita? Quando é que a banda vai deixar de ser "mágica"? Há pessoas que continuam a engordar com a banda... e depois vêm dizer que "tou muito desiludida, a banda a mim não me fez nada" HELLOOOOOOO!
29 de outubro de 2008
É (já) na próxima semana...
...que começo a dar consultas! Há um mês e meio que me limito a assistir e estou mais que ansiosa!! :) Confesso que tenho assim um friozinho na barriga... mas estou optimista.
Pronto, era só para contar... Eu sei que tenho andado desaparecida, mas não tenho tido muitas novidades... Além disso, não sei até que ponto estará alguém desse lado... :P Aos que estão por aí, prometo que vou tentar vir cá mais vezes! :)*
Pronto, era só para contar... Eu sei que tenho andado desaparecida, mas não tenho tido muitas novidades... Além disso, não sei até que ponto estará alguém desse lado... :P Aos que estão por aí, prometo que vou tentar vir cá mais vezes! :)*
3 de abril de 2008
Consultas animadas.
Ontem foi mais um dia de consultas no hospital. A primeira doente, uma senhora de 68 anos, ia acompanhada pelo marido. Eram um consolo. Rimos tanto... que eu fui buscar o caderno para apontar as coisas que eles diziam. Começou por se desculpar, dizendo à nutricionista que estava a fazer medicação:
"- Ó senhora doutora, olhe que eu estou a tomar antibióticos e vitaminas!
- Então, mas os antibióticos engordam, é?
- Não sei... mas as vitaminas sim!"
O marido ajudava-a no relato do que tinha comido no dia anterior e notava-se que eram unidos. Trabalhavam no campo, iam os dois ao fim da tarde fazer a caminhada recomendada, ele acompanhava-a na dieta e sabia o que ela ia comendo... faziam tudo juntos. Mais uma vez, fiquei deliciada! :) Ele acrescentava:
"Ó senhora doutora, ela agora não come isto e aquilo, e eu fico desconsolado, que também não posso comer!"
Ela dizia que tudo o que comia era "assim" (juntava o polegar ao indicador, formando um círculo pequenino) e repetia:
"Ó senhora doutora, eu tenho o poder de engordar!!" "Dê-me qualquer coisinha para me ajudaaaaarrr... é que eu esta semana estive quase quase para comprar aquela coisaaa que até dá na televisão!"
Para completar, o senhor ficou muito surpreendido quando lhe foi dito que o azeite tinha que ser pouquinho, porque apesar de ser uma gordura boa, não deixava de ser uma gordura:
"Ó senhora doutora, o azeite engorda?! É que eu gosto muito de batatinhas e elas têm que estar a navegar no azeite!"
Um dia escrevo um livro com estas coisas! :)
"- Ó senhora doutora, olhe que eu estou a tomar antibióticos e vitaminas!
- Então, mas os antibióticos engordam, é?
- Não sei... mas as vitaminas sim!"
O marido ajudava-a no relato do que tinha comido no dia anterior e notava-se que eram unidos. Trabalhavam no campo, iam os dois ao fim da tarde fazer a caminhada recomendada, ele acompanhava-a na dieta e sabia o que ela ia comendo... faziam tudo juntos. Mais uma vez, fiquei deliciada! :) Ele acrescentava:
"Ó senhora doutora, ela agora não come isto e aquilo, e eu fico desconsolado, que também não posso comer!"
Ela dizia que tudo o que comia era "assim" (juntava o polegar ao indicador, formando um círculo pequenino) e repetia:
"Ó senhora doutora, eu tenho o poder de engordar!!" "Dê-me qualquer coisinha para me ajudaaaaarrr... é que eu esta semana estive quase quase para comprar aquela coisaaa que até dá na televisão!"
Para completar, o senhor ficou muito surpreendido quando lhe foi dito que o azeite tinha que ser pouquinho, porque apesar de ser uma gordura boa, não deixava de ser uma gordura:
"Ó senhora doutora, o azeite engorda?! É que eu gosto muito de batatinhas e elas têm que estar a navegar no azeite!"
Um dia escrevo um livro com estas coisas! :)
20 de fevereiro de 2008
Casos (in)felizes...
Começámos hoje a assistir às consultas de nutrição no hospital. Três horas de consultas, todas as quartas de manhã.Uma obesa, uma diabética tipo I, um diabético tipo II, uma doente com dislipidemia... Tudo casos que pareciam estar a correr bem! Os doentes eram interessados e as análises mostravam que realmente estavam a melhorar. Nós, surpresas e entusiasmadas (ingénuas...), repetíamos "Mais um caso feliz!" à medida que cada doente saía do consultório.
Pela altura em que se aproximava a hora de irmos embora, entrou a quinta doente. Ainda não tinham passado 5 minutos, já ela estava a chorar convulsivamente... Porquê? Não sei, mas imagino.
As consultas por hoje terminaram com um delicado convite a sair.
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